Comunicação não violenta (CNV)

Só os seres humanos usam a linguagem verbal. O ser humano começou a falar há 50 mil anos atrás. A linguagem verbal corresponde a 35% da mensagem transmitida e 65% corresponde a linguem não verbal.

Normalmente, vejo pessoas ligando a comunicação não violenta, mais conhecida por CNV, ao fato de falar com calma, sem gritar, mas veremos que é muito mais do que uma comunicação uníssona sem sentimentos, pelo contrário, o sentimento é obrigatoriamente o cerne da CNV.

O que é comunicação não violenta?

Comunicação não violenta é a conexão entre os interlocutores. Dessa forma, estamos falando de empatia e auto-empatia. Com o foco em possibilitar escutarmos profundamente – a nós e aos outros – a CNV promove respeito, empatia, atenção, compaixão.

O assunto foi apresentado de forma bastante didática no livro Comunicação não violenta, do autor Marshall Rosenberg, onde ele ensina que a CNV é um método e por isso deve ser praticado, dentro dos 4 passos que ele indica: Observação, Sentimento, Necessidade e Pedido.

O assunto não pode ser visto apenas como um método de comunicação, é muito mais do que isso, é uma forma de criar compaixão e sintonia entre as pessoas, é estabelecer uma forma de gerar ações positivas, proveniente de atos concretos e conscientes de atenção mútua,

01 – O primeiro passo é a observação:

Nesse passo, o que temos que tomar cuidado é não confundir a observação com interpretação ou julgamento. Para diferenciar, observar é como se estivéssemos filmando o fato, ao passo que o contrário seria algo subjetivo, impossível de descrever.

Normalmente quando a conversa inicia com um ataque, um julgamento genérico, o interlocutor vai agir na defensiva e dessa forma a comunicação já está destruída.

Ex: Você é desorganizado é diferente de dizer, sua mesa de trabalho tem 4 xícaras usadas e não há espaço sequer para colocar o computador.

Mais exemplos de observação.

02 – O segundo passo é o Sentimento:

A primeira coisa é conhecer o vocabulário dos sentimentos. Saber comunicar os sentimentos é de extrema importância. O sentimento surge da observação, por isso é o segundo ponto. O problema é que fomos educados a não expressar nossos sentimentos.

Nós somos formados por sentimentos, mas não sabemos como expressá-los por palavras. Dentro da CNV ele é importantíssimo, pois mostra vulnerabilidade.

Por exemplo: “acho que você não me ama” – não expressa sentimento, é uma confusão sobre sentimento e pensamento. Quando usamos a palavra “que” estamos expressando pensamento e não sentimento. Já na frase: “Eu estou triste, porque não subiu corações no Instagram durante minha live”. Isso é sentimento, pois vem após uma observação.

Outra falha é considerar sentimentos o que na verdade é um julgamento, por exemplo:

“Me sinto abandonado por você”. Posso me sentir desapontado com uma recusa de um convite que fiz, mas pensar que eu fui abandonado é um julgamento sobre uma outra pessoa, nesse julgamento, avalio que essa pessoa me abandonou. Não se trata de um sentimento que está em mim, e sim num juízo de valor que aponta para o que ou quem está fora de mim.

Tem dúvidas sobre o que é sentimento? Na internet há várias listas de sentimentos e a mais atual são os Emojis! Expressar sentimento de forma escrita é muito difícil e os emojis vieram contribuir para diminuir essa dificuldade.

Atenção: raiva também é um sentimento e não deve ser escondido! Agora deve estar expresso como consequência de uma observação.

Vamos testar se entendemos até agora?

Ex 1: Amor, você é um porco! Me sinto agredida quando você deixa essa sujeira no chão!

Não é CNV, pois começa com um julgamento “você é um porco” e continua com julgamento, pois não expressa sentimento. “Desrespeitada” é um julgamento sobre o comportamento do companheiro.

Ex 2: Amor, ver essas meias usadas no chão me deixa triste e irritada.

Ver as meias no chão é um fato, elas estão lá, portanto temos a observação como primeiro passo. Sentir-se triste e irritada é sentimento puro e declarado, portanto, essa mensagem cumpre os dois primeiros passos da CNV.

O terceiro passo é a necessidade:

Todo sentimento gera uma necessidade e para conseguirmos obter o melhor resultado de nossa comunicação, se faz obrigatório, expressarmos essa necessidade. Só assim criamos um contexto para o entendimento de nosso interlocutor e assumimos a responsabilidade por nossos sentimentos.

Pular a necessidade, faz com que muitas vezes, não se crie a empatia na comunicação, muito provavelmente, não teremos o resultado, a ação, que estamos esperando.

Quanto mais formos capazes de relacionar nossos sentimentos às nossas próprias necessidades, mais fácil será para os outros reagir de forma a nos atender.

Infelizmente, também fomos educados de forma a nunca pensar nas nossas necessidades. Estamos acostumados a pensar no que há de errado com as outras pessoas sempre que nossas necessidades não são satisfeitas. Assim, se desejamos que as mochilas sejam guardadas no armário, por exemplo, podemos classificar nossos filhos de preguiçosos por deixá-las sobre o sofá.

 As necessidades humanas universais estão na base de toda teoria da Comunicação não-violenta. Seu caráter universal, isso é, aquilo que todos os seres humanos compartilham, é o que traz identificação e facilita a conexão compassiva. Quando sinto medo, culpa ou vergonha, ajo para me defender ou consertar meus comportamentos, mas quando me identifico com a sua necessidade, então quero agir por compaixão.

TESTE:

Diga se a mensagem expressa necessidade ou não.

1.Sinto-me frustrada quando você chega atrasado.

Não expressa necessidade, apenas culpa o outro por seu sentimento.

Na CNV fica: Sinto-me frustrada quando você chega atrasado, porque eu esperava que conseguíssemos poltronas na primeira fila

2.Estou triste por você não vir para jantar, porque eu estava esperando que pudéssemos passar a noite juntos.

Expressa responsabilização pelo sentimento, portanto expressa a necessidade, que é de passar a noite juntos.

3.Sinto-me feliz porque você recebeu aquele prêmio.

Não expressa necessidade, apenas indica no outro o motivo por sua felicidade.

“Quando você recebeu aquele prêmio, fiquei feliz, porque eu esperava que você fosse reconhecido por todo o trabalho que dedicou àquele projeto”

O último passo é o pedido:

Fazer um pedido – não uma exigência – de maneira clara e específica é o último dos quatros componentes da Comunicação não-violenta.

O pedido é uma consequência das necessidades, pois sempre que se necessita de algo, preciso é que seja suprida com alguma ação. A necessidade ignorada gera um vácuo.

Porém, essa etapa é uma das perigosas, pois normalmente, as pessoas não pedem, exigem.

Pensem, quando alguém responde a um pedido nosso com um NÃO, como reagimos?

Mais exemplo proveniente do livro:

(José): “Estou me sentindo solitário, gostaria que você saísse comigo essa noite”. 

Isso seria pedido ou exigência?  Veremos!

(Maria): “José, estou muito cansada. Se você quer ter companhia, que tal encontrar outra pessoa para sair com você esta noite?”

Se José responder: “É tão típico de você ser assim egoísta! “

Virou exigência.

Quanto mais interpreta-se como rejeição o não-atendimento das solicitações, mais provável será que os pedidos sejam entendidos como exigências.

Quanto mais tiver culpado, punido ou acusado os outros quando não atenderam as suas solicitações no passado, maior será a probabilidade de que seus pedidos sejam agora entendidos como exigências.

Como fazer um pedido? Segundo o autor, o pedido deve ser em linguagem positiva. Quando a gente pede um “não fazer”, as pessoas ficam confusas quanto ao que realmente está sendo pedido. Além disso, a solicitação negativa pode provocar resistência em seu ouvinte.

‘Pedi que ele não passasse tanto tempo no trabalho. Três semanas depois, ele reagiu anunciando que havia se inscrito num torneio de golfe!’ ‘Eu queria ter-lhe dito que desejava que ele passasse pelo menos uma noite por semana em casa com as crianças e comigo’.”

Outro ponto defendido por Marshall é que não pode ser um pedido vago, tem que ser claro e objetivo.

“Estou aborrecido porque você se esqueceu de comprar a cebola que pedi para o jantar”. Embora pareça óbvio para ele um pedido para voltar à loja, o companheiro pode pensar que suas palavras foram ditas apenas para que ele se sentisse culpado.

Quanto mais claros formos a respeito do que queremos obter, mais provável será que o consigamos.

TESTE:

  • Gostaria que você me dissesse uma coisa que eu fiz de que você gostou.

Expressa um pedido claro.

  • Gostaria que você sentisse mais confiança em si mesmo.

a expressão “sentir mais confiança” não expressa claramente uma ação específica que está sendo solicitada.

  • Gostaria que você fizesse um treinamento em pensamento afirmativo, que acredito que aumentaria sua autoconfiança.
  • Gostaria que você dirigisse dentro do limite de velocidade.

Expressam um pedido claro.

  • Gostaria que você preparasse o jantar mais vezes.

a expressão “mais vezes” não expressa claramente uma ação específica que está sendo solicitada. A pessoa poderia ter dito: “Gostaria que você preparasse o jantar toda segunda-feira à noite”.

Vamos agora ver uma frase completa de CNV.

Amor, ver essas meias usadas no chão me deixa triste e irritada, porque eu preciso de organização em casa, você poderia, sempre que tirar as meias, colocá-las no cesto de roupa suja?

OUVINTE CNV

A Comunicação não-violenta nos lembra que, não importa que palavras as pessoas usem para se expressar, não importa o que digam ou como digam, sempre podemos escolher escutar observaçõessentimentos e necessidades, e o que elas estão pedindo para enriquecer suas vidas.  

Para isso é necessário termos empatia na escuta, deixar de lado nossos julgamentos, ideia preconcebidas, além de querer aconselhar ou encorajar.

Quando recebemos uma mensagem violenta, é nosso papel como comunicadores não violentos, buscar naquela mensagem os 4 elementos da CNV e parafrasear ao interlocutor, de forma a criar uma estrutura CNV.

EX: Pergunta: Como você pôde me dizer uma coisa dessas?

Respostas CNV: Você está magoado porque queria que eu tivesse concordado em fazer o que você me pediu?”

Nós da Plena Performance, acreditamos que a CNV é um grande passo para o sucesso, seja em casa ou  no trabalho, gerar compaixão nas pessoas e ter com isso maior chance de obter o que necessita, é algo que todos precisamos, além do fato que muitas discussões descabidas poderão ser evitadas! Pratique a CNV!



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